Comissão Europeia

A embaraçosa demissão do comissário Dalli

Publicado em 17 Outubro 2012 às 13:18

"Um dia triste para Malta": foi assim que o Times of Malta reagiu à demissão do comissário europeu maltês John Dalli, responsável pela Saúde e Defesa do Consumidor.

Com efeito, Dalli foi considerado suspeito de tráfico de influências pelo Organismo Europeu de Luta Antifraude (OLAF). Em maio de 2012, o produtor de tabaco sueco Swedish Match apresentou uma queixa a este organismo, na qual declarou ter sido abordado por um empresário maltês chamado Silvio Zammit, que se vangloriara da sua proximidade com Dalli e propusera, em troca de vantagens financeiras, intervir junto do comissário europeu, quando este trabalhava no endurecimento da lei sobre o tabaco. O inquérito não concluiu que tivesse havido uma "participação direta" de Dalli mas foi considerado, no entanto, que este estava "informado" das iniciativas do produtor maltês.

Apesar de John Dalli ter rejeitado em bloco tais acusações, o diário maltês considera, contudo, no seu editorial, que as alegações são "suficientemente sérias para levar à sua demissão" e recorda que

não é a primeira vez, no decurso da sua longa carreira, que Dalli navega em águas turvas. Pouco depois de ter sido nomeado ministro dos Negócios Estrangeiros, em 2004, Dalli foi forçado a demitir-se na sequência de alegações sobre a sua conduta [as acusações revelaram-se infundadas].

Por seu turno, o diário económico francês Les Echos interessa-se pela reação de Bruxelas:

A Comissão Europeia parece ter querido livrar-se o mais rapidamente possível do caso […]. Em Bruxelas, o comissário Dalli não era muito popular. Encarregado de dossiês importantes como a autorização de medicamentos e a defesa do consumidor, é acusado de timidez face aos conflitos de interesses nas agências […], e, no ano passado, a sua gestão da crise do E-Colli não foi nada apreciada […]. Para Bruxelas, o caso surge no pior momento: já fez a felicidade dos eurocéticos.

O mesmo diário económico recorda igualmente que desde a Comissão presidida por Jacques Santer, forçado a demitir-se em 1999 por má gestão, "nenhum comissário teve de se demitir".

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