A Roménia gasta mal e discute muito

Publicado em 20 Novembro 2012 às 12:37

A campanha eleitoral para as legislativas de 9 de dezembro é dominada pela discussão em torno do orçamento da União Europeia para 2014-2020. Após mais uma disputa para decidir qual dos dois iria ao Conselho Europeu de 22 e 23 de novembro, o primeiro-ministro Victor Ponta e o Presidente Traian Băsescu (que vai finalmente a Bruxelas) digladiaram-se a propósito de um eventual veto ao novo orçamento: Ponta mostra-se favorável caso a Roménia venha a sofrer uma redução dos fundos que lhe foram concedidos, contrariamente a Băsescu.

Para o diário de Bucareste Adevărul, se os dirigentes romenos tivessem querido fazer alguma coisa de útil, “teriam encontrado maneira de a Roménia investir eficazmente os milhares de euros da UE”. Mas a Roménia, país para o qual, no orçamento de 2007-2013, estavam previstos 19,66 mil milhões de fundos europeus, é o último no que diz respeito à sua utilização, nota o jornal, segundo o qual, na presidência de Traian Băsescu, Bucareste

conseguiu uns gloriosos 4% de absorção efetiva e 10% em teoria. Os búlgaros ultrapassam-nos e os polacos até se ririam de nós se não tivessem receio de que o recorde negativo da Roménia pudesse levar os países da Europa ocidental a decidirem-se por uma redução substancial dos fundos de coesão.

O diário pergunta quanto irá custar aos romenos a exportação para o panorama europeu de uma guerra política interna:

A Roménia transformou-se num mau exemplo na Europa, onde os países interessados aproveitam para provar que o dinheiro dos ricos deve deixar de ser investido na redução das diferenças entre os países desenvolvidos e os menos desenvolvidos. A adoção de uma política de redução dos orçamentos no próximo Conselho Europeu é, de facto, um golpe na ideia de uma Europa mais integrada, mais forte.

Para o diário, um novo fracasso no exercício financeiro da UE significaria para a Roménia o fim de qualquer hipótese de redução das diferenças e de aproximação aos padrões de prosperidade da “velha Europa”.

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