Uma mulher turca passa em frente de um cartaz do artista Burak Deiler, em Istambul (AFP, 2005).

Ancara ainda acredita nas estrelas da UE

Os resultados das últimas eleições europeias resultaram numa derrota dos socialistas e na vitória dos partidos de centro-direita e extrema-direita, que se opõem à adesão da Turquia à União. Há, no entanto, razões para esperar que o processo não seja interrompido, escreve o diário Referans.

Publicado em 10 Junho 2009 às 18:18
Uma mulher turca passa em frente de um cartaz do artista Burak Deiler, em Istambul (AFP, 2005).

À partida, os resultados das eleições europeias constituem uma “má notícia” para a Turquia. Com efeito, enquanto a esquerda europeia encara de maneira positiva a perspectiva de uma adesão da Turquia à União, já os partidos de direita da Alemanha, França, Países Baixos e Áustria se lhe opõem. Na sequência destas eleições, a balança inclina-se agora parcialmente em desvantagem para a Turquia. É intencionalmente que utilizo o termo “parcialmente”, porque esta impressão desfavorável é contrabalançada por uma boa notícia desta eleição, a do aumento, no conjunto da Europa, dos sufrágios em prol dos partidos ecologistas, conhecidos pela sua abordagem favorável ao projecto europeu da Turquia.

Ainda que o Parlamento Europeu não seja dotado de prerrogativas que lhe permitam parar o processo de negociações entre a Turquia e a União, a Turquia deve estar em condições de interpretar correctamente “os ventos de mudança” que sopram actualmente sobre a Europa. Por exemplo, não terá escapado a ninguém que Nicolas Sarkozy, que se tem destacado pelas suas declarações antiturcas e cuja quota de popularidade é muito baixa, viu, no entanto, o seu partido, a UMP, obter um muito bom resultado nesta eleição europeia. Por seu turno, os socialistas franceses estão infelizmente a devorar-se uns aos outros. Com base nisto, poder-se-ia concluir que a oposição sistemática à Turquia consegue necessariamente uma vantagem eleitoral no jogo político interno francês. Salvo que a importante penetração eleitoral dos ecologistas franceses, obtida apesar das afirmações favoráveis à Turquia de Daniel Cohn-Bendit, o lendário dirigente dos Verdes, contradiz este tipo de conclusão apressada. O quadro que se nos apresenta após estas eleições europeias não se reduz, por conseguinte, a uma visão binária entre preto e branco.

Apesar da subida em força da tendência antiturca na Europa, a Turquia não deve sentir nenhuma complicação especial em relação ao seu processo de adesão, desde que se resolva a relançar as suas reformas internas. Foi essa, em substância, a mensagem que o Comissário europeu para o Alargamento, Olli Rehn, designadamente, nos transmitiu, no dia 9 de Junho em Bruxelas: "Não há razão nenhuma para preocupações, desde que as reformas judiciais e políticas prossigam.”

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