UE-Estados Unidos

Como o termo “europeu” passou a ser um insulto em Washington

Publicado em 6 Junho 2012 às 14:26

“A economia afasta as duas margens do Atlântico”: é assim que La Stampa resume as consequências das recentes declarações de Barack Obama, segundo as quais as fracas perspetivas de crescimento dos EUA ficam a dever-se à má gestão da crise da zona euro. “Há causas fortuitas e causas mais de longo prazo na pressão cada vez maior com que o Presidente Obama insta os europeus a reagirem”, comenta o diário de Turim. As primeiras estão relacionadas com as presidenciais de novembro nos EUA: no momento em que, com a nomeação de Mitt Romney para candidato republicano, a campanha chega ao auge, o termo “Europa” passou a ser um insulto utilizado pelos candidatos para desacreditar o adversário, nota La Stampa.

No início da campanha presidencial, eram os Republicanos que utilizavam a Europa para assustar os eleitores e atingir Obama […]. Agora, os papéis inverteram-se e os Democratas acusam os adversários de “ser como os europeus”, porque os Republicanos propõem a mesma austeridade teutónica que condena a zona euro à recessão e ao desemprego.

As segundas dizem respeito às relações transatlânticas, em particular com Berlim:

Durante anos, Washington viu na Alemanha o seu mais fiel aliado. […] No final desse período, tinham passado mais de 20 anos. E aquilo que a guerra do Iraque e do Afeganistão não conseguiram fazer — enfraquecer a aliança — verifica-se hoje em dia por causa da crise e de uma Alemanha talvez pouco audaciosa para prosseguir conscientemente um “grande desígnio”, mas demasiado “teimosa” para comprometer as bases da aliança ocidental.

É uma organização jornalística, uma empresa, uma associação ou uma fundação? Consulte os nossos serviços editoriais e de tradução por medida.

Apoie o jornalismo europeu independente.

A democracia europeia precisa de meios de comunicação social independentes. O Voxeurop precisa de si. Junte-se à nossa comunidade!

Sobre o mesmo tópico