União Europeia

Ex-comissários entram para grupos de pressão

Publicado em 13 Julho 2010 às 13:25

Os militantes da transparência temem que uma empresa de Relações Públicas que intervém junto da UE sobre questões marítimas tenha "comprado os conhecimentos de topo do departamento marítimo da UE”, segundo o EUObserver. Isto vem na sequência da recente nomeação de Joe Borg para a Fipra, uma empresa de consultoria em Relações Públicas. Até 2009, relata o website de Bruxelas, o maltês Borg era o comissário responsável pelos assuntos marítimos e da pesca. Junta-se agora ao antigo colega de Comissão, John Richardson, que já trabalhava para a Fipra como “conselheiro especial em política e diplomacia marítimas”.

O Corporate Europe Observatory, um organismo fiscalizador da transparência, é muito crítico em relação a estes acontecimentos. Recordando que a Fipra não se conseguiu registar como Representante de Interesses na Comissão, Erik Wesselius, do grupo, declarou: "Estes dois exemplos inaceitáveis de gente que dá para os dois lados mostram que a interpretação estrita da Comissão torna as regras aplicáveis aos antigos comissários e funcionários absolutamente irrelevantes”.

Apesar das afirmações de Borg e de Richardson de que não há sobreposição entre as suas presentes e antigas atividades, o EUobserver lança uma nota cética a respeito de ex-comissários que integram atividades relacionadas com os seus cargos anteriores. “Até hoje, seis dos 13 comissários da UE que se aposentaram este ano estão a trabalhar para bancos, empresas de representação de interesses, companhias de seguros e linhas aéreas”, lê-se ali. A recente nomeação do antigo comissário dos Transportes, Charlie McCreevy, para a direção da Ryanair foi uma das mais divulgadas.

Em matéria de atividades marítimas, “as antigas ligações maltesas de Borg podem certamente revelar-se úteis”, salienta o diário. Um dos clientes da Fipra é a Royal Caribbean Cruises. Os navios de cruzeiros têm vindo a transferir os seus registos em grande número, nos últimos anos, das Caraíbas para a Europa. O Royal Caribbean registava dantes muitos dos seus navios sob “bandeiras de conveniência” na Libéria, para evitar os regulamentos europeus e norte-americanos, mas começaram a passá-los para Malta. Como Borg declarou num discurso num jantar da Fipra, realizado em 7 maio em Malta, "a Fipra e a Comissão Europeia têm mais em comum do que se pode pensar”.

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