O Berlaymont, sede da Comissão Europeia, em Bruxelas.

O Leviatã existe, vive em Bruxelas

As instituições europeias são um monstro burocrático que devora os cidadãos, afirma o ensaísta alemão Hans Magnus Enzesberger no seu livro mais recente, exortando os europeus a enfrentá-lo.

Publicado em 25 Março 2011 às 14:39
PatrickS  | O Berlaymont, sede da Comissão Europeia, em Bruxelas.

Enquanto os povos do mundo árabe se manifestam em favor da autodeterminação e da democracia, a Europa perde-se na ditadura. A sua tradição democrática está desgastada, destruída, e os seus cidadãos são perseguidos e tratados com acrimónia. O poder delegado pelo povo aos seus representantes foi transferido secretamente e escondeu-se num lugar inacessível, que nunca ninguém viu.

Quem é que manda realmente? Quem segura as rédeas? Onde? E com que finalidade? Ninguém sabe. Promulgam-se leis e regulamentos, mas os habitantes no Velho Continente já não lhes entendem os termos. É um pouco como se um povo extraterrestre tivesse desembarcado na Terra sem ninguém saber e, recém-chegado, se tivesse colocado ao serviço da União Europeia, talvez por os seus ocupantes serem especialmente prósperos. Este povo é o dos tecnocratas.

[…] **Este artigo foi retirado a pedido do proprietário dos direitos de autor.**

Reações na Suíça

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Quem dá o pão dá a criação

No Die Zeit, o antigo membro do Governo suíço, Moritz Leuenberger, explica por que motivo o panfleto de Hans Magnus Enzensberger irá ser "um rol de citações que fulminam a burocracia" e irá dar argumentos aos anticapitalistas suíços, mesmo que o ensaísta alemão o utilize igualmente para louvar a paz e o progresso que a União proporcionou aos seus cidadãos. Leuenberger adianta, para além disso, que a falta de democracia da UE, denunciada por Enzensberger, se aplica a todos os países, no seio da UE e fora dele. Sublinha, por último, que Enzensberger nunca pediu a dissolução da UE. Pelo contrário! Admite que em Bruxelas existe um discurso muito crítico e esclarecido em relação à UE. E é precisamente esta autocrítica que alimenta a esperança de um futuro melhor para a UE: "Os que amam a UE criticam-na, como fez Hans Magnus Enzensberger", conclui.

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