O primeiro-ministro grego Lucas Papademos conseguiu alguma margem para respirar.

O naufrágio foi evitado

Ao convencer entre 85 e 95% dos seus credores privados a reestruturarem parcialmente a dívida que detinham, o Governo grego conseguiu finalmente aquilo que se esperava dele. Mas terá agora de dar sentido aos sacrifícios da população.

Publicado em 9 Março 2012 às 15:44
O primeiro-ministro grego Lucas Papademos conseguiu alguma margem para respirar.

O processo com vista à troca das obrigações detidas por credores privados da Grécia terminou [estes aceitaram ceder os seus títulos da dívida atuais e comprar novos títulos a 50% do seu valor]. E pode ser considerado um êxito. O maior perdão parcial da dívida alguma vez alcançado no mundo foi, por conseguinte, pela sua própria natureza, um sucesso que desmente os argumentos de todos aqueles que consideravam que era muito difícil, ou mesmo impossível, concretizar tal objetivo.

Agora, falta apenas uma etapa para concluir a aplicação do acordo de 26 de outubro passado e garantir as condições que nos permitirão ter maiores possibilidades de sair da crise. Este resultado tem vários significados. Mas, acima de tudo, representa a confirmação de que o nosso país começa a recuperar a credibilidade que perdeu. Tendo por base esta política, devemos passar à fase seguinte dos nossos esforços no sentido de provar que estamos mesmo decididos a não perder a última oportunidade que nos foi dada.

Hipóteses de sucesso serão maiores

Se as experiências positivas e negativas daquilo que vivemos nos dois últimos anos forem devidamente valorizadas, as hipóteses de sucesso serão maiores. É preciso, a todo o custo, evitar as inadequações e os atrasos que marcaram o modo como, até agora, mantivemos os nossos compromissos e garantir a governação do país por Lucas Papademos. A ação do próximo Governo, seja ele qual for [as eleições poderão ter lugar em abril], deverá tomar como modelo aquilo que foi feito nos últimos três meses.

Esta foi a primeira vez que o nosso Governo conseguiu levar a bom termo a tarefa que lhe tinha sido confiada. E não era, de modo algum, uma tarefa fácil. Agora, os governos vão ter de provar que os sacrifícios que o povo grego tem feito nos últimos dois anos, e todos aqueles que ainda será levado a fazer, não foram e não serão em vão. E terão de provar que a ajuda que nos for atribuída, e a confiança que os nossos parceiros e os nossos credores depositaram em nós são inteiramente justificadas.

Calendário

Bruxelas teme as eleições

O acordo com os credores representa mais um passo no sentido da saída da crise, mas há um risco que continua a pairar sobre a Grécia, considera La Tribune. Este diário económico salienta que a UE desejaria que as eleições legislativas antecipadas, previstas para o próximo mês de abril, fossem adiadas.

Com efeito, os três partidos à esquerda do social-democrata PASOK totalizariam 39% das intenções de voto. […] Com uma extrema-esquerda tão forte, o risco de o roteiro traçado ser posto em causa é elevado.

A UE preferiria que fosse respeitado o calendário eleitoral inicial, que prevê eleições em 2015, data em que o país poderá ter alcançado estabilidade. La Tribune conclui, sublinhando que "o risco de explosão social incontrolada não é menor que o risco de falência desordenada".

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