
Seja qual for o desenrolar dos acontecimentos em Atenas, as manobras do primeiro-ministro grego, mais absorto em cálculos de política interna do que nas suas responsabilidades de dirigente europeu, vão deixar marcas indeléveis. O “plano da última hipótese europeia”, assinado in extremis à custa de acordos dolorosos e de pesados sacrifícios financeiros, fica gravemente enfraquecido. Na esperança de que não fique definitivamente dinamitado.
Percebemos desde logo as consequências da reviravolta grega. O pânico apoderou-se dos mercados financeiros e deu-se o contágio acelerado aos outros elos europeus mais fracos. Pois, nesta fase, nada garante que os “guarda-fogos” destinados a evitar o incêndio da zona euro – extinção de metade da dívida privada grega, reforço do fundo de apoio aos países em dificuldades, criação de um segundo fundo financiado pelos países emergentes... – possam ser acionados, apesar das garantias de Paris e Berlim.
Quanto à Grécia, o país é o próprio a colocar-se à margem da Europa. Entrou à força na moeda única com contas públicas falsificadas, é conhecido pelo laxismo fiscal e pela ineficácia administrativa e já foi socorrido duas vezes pelos seus parceiros. Que, em nome dos superiores interesses da Europa, assumiram a tarefa de enfrentar a opinião pública dos seus países, assinando os cheques endossados a Atenas, apesar dos cofres vazios. Agora, o copo ficou cheio. A última facécia ateniense acaba de desacreditar a Grécia, que se encaminha a grande velocidade para sair do euro. Com a cumplicidade condenável de Georges Papandreou.