Crise da zona euro

Os ianques a jogar às adivinhas

Publicado em 9 Agosto 2012 às 12:32

Será que a União Monetária vai continuar?”, pergunta o Frankfurter Allgemeine Zeitung depois de uma semana rica em declarações de um lado e do outro sobre o futuro da zona euro. Para se manter no meio da selva de anúncios, o diário conservador publica um mapa interativo que ilustra a divisão entre otimistas (a verde) e pessimistas (a encarnado) europeus. Conclusão:

A maior parte dos profetas da desgraça está na América. Os europeus encaram a crise de uma forma bastante mais descontraída.

O FAZ contradiz o antigo presidente da Reserva Federal norte-americana, Alan Greenspan (“o euro vai acabar”), ou o financeiro George Soros (a direção que a crise está a tomar é “potencialmente mortal”) ao economista francês, Pascal Salin (“A crise do euro não existe. Trata-se de uma questão de endividamento de alguns países — que pertencem à zona euro”).

Para explicar este fosso, a politóloga Stormy-Annika Mildner comenta nas páginas do jornal:

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Os cenários dos americanos são inúmeros porque a Europa não aplica as suas ideias políticas. Os americanos querem euro-obrigações, uma união orçamental mais forte e uma maior liderança dos alemães.

Além disso, alguns economistas americanos como Martin Feldstein (Harvard), pura e simplesmente, não abandonaram o seu ceticismo para com o euro desde a sua introdução nos anos de 1990. Note-se que os especialistas citados pelo FAZ do lado americano são economistas, ao passo que os europeus contam com um grande número de figuras políticas, de Angela Merkel a François Hollande, que não têm propriamente interesse em se mostrarem pessimistas.

Mesmo assim, Otmar Issing, um dos fundadores do euro, considerado um otimista pelo FAZ, disse recentemente que tinha dúvidas de que todos os países da zona euro continuassem a pertencer-lhe.

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