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Os "pais" da Parceria Oriental: Carl Bildt (à esquerda) e Radosław Sikorski.

Sem os seus “pais”, está condenada a desaparecer

Com a saída de cena dos arquitetos da Parceria Oriental, os ministros dos Negócios Estrangeiros sueco, Carl Bildt, e polaco, Radosław Sikorski, o mais importante projeto da UE na Europa Oriental está condenado a desaparecer.

Publicado em 31 Outubro 2014 às 17:56
MSZ  | Os "pais" da Parceria Oriental: Carl Bildt (à esquerda) e Radosław Sikorski.

No papel, a Parceria Oriental ainda deverá sobreviver durante mais algum tempo. Além disso, a próxima cimeira já está fixada e prevê-se que seja realizada em Riga, na Letónia, no verão de 2015. No entanto, sem a força de vontade e a supervisão dos fundadores do projeto, Carl Bildt e Radosław Sikorski, – o primeiro saiu depois da derrota do Governo conservador sueco nas eleições legislativas do dia 14 de setembro e, o segundo, após a sua nomeação para a presidência da Assembleia nacional polaca – é muito provável que o barco da Parceria Oriental navegue de forma caótica, sem bússola nem leme. Todos sabemos que a UE está repleta de instituições desprovidas de sentido, de projetos sem valor e de milhares de funcionários medíocres.
Foi após a guerra entre a Rússia e a Geórgia, que ocorreu em agosto de 2008 e apanhou o Ocidente desprevenido, que a Polónia e a Suécia, respetivamente representadas por Sikorski e Bildt, formularam uma resposta de “poder suave” à política russa de consolidação da sua influência no antigo espaço soviético. A UE respondeu a esta iniciativa com a criação de uma Parceria Oriental, um projeto lançado oficialmente na cimeira de Praga em maio de 2009.

Instrumento da ocidentalização

A Parceria proporcionou uma porta de saída a seis antigas repúblicas soviéticas, três das quais na Europa de Leste (Bielorrússia, Ucrânia e Moldávia) e três na Transcaucásia (Geórgia, Arménia e Azerbaijão). Chegou na altura certa, oferendo uma oportunidade a esses povos e alimentando o desejo de se aproximarem do Ocidente e de limitar a influência russa. Uma boia de salvação à qual a oposição política, a sociedade civil e as novas gerações se agarraram, numa tentativa de limitar os excessos dos autocratas de Minsk, Yerevan ou Baku.
A Parceria foi o instrumento da ocidentalização do leste, para quem esta representa os valores do mundo civilizado, facilitando a sua transferência para países com uma forte tradição autoritária; representa uma justiça independente; o controlo civil sobre instituições militarizadas e a independência dos meios de comunicação. Bildt e Sikorsk pilotaram o barco da Parceria no meio dos recifes da burocracia de Bruxelas, mobilizaram os governos, visitaram as capitais da Europa de Leste e exerceram pressão quando o fosso entre as declarações públicas e as realidades políticas aumentaram demasiado. Menos de metade dos seis países abrangidos por esta parceria (a República da Moldávia, a Geórgia e a Ucrânia) continua nesta viagem iniciada na primavera de 2009.

Que futuro?

A Parceria não era uma porta de entrada para a UE, ao contrário do que alguns pensaram. Também obrigou a escolher entre o leste e o oeste, entre a UE e a Rússia, isto é, até à primavera de 2012, quando Vladimir Putin regressou ao Kremlin, depois de vencer um terceiro mandato presidencial. A sua União Euro-Asiática, que deverá ser celebrada em janeiro de 2015, conferiu à Parceria Oriental um lado dramático nunca antes visto. Foi a pressão exercida por Moscovo que obrigou as antigas repúblicas soviéticas a escolherem entre a Rússia e a União Europeia!
A acumulação de tensões explodiu na Ucrânia, em novembro de 2013, quando o Kiev recusou assinar, em Vilnius, na última cimeira da Parceria Oriental, o Acordo de Associação, devido às pressões de Moscovo. A guerra rebentou na Ucrânia porque a Rússia sentiu que os seus planos geopolíticos estavam a ser ameaçados.
Sem Bildt e Sikorski, e com a social-democrata Federica Mogherini na liderança da política estrangeira da UE, avistam-se tempos muito difíceis para a política oriental do Ocidente.

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