Viva a neutralidade da Net!

Publicado em 12 de Novembro, 2010

Uma das chaves do sucesso da Internet reside no caráter “neutro” da rede. Aquando do seu lançamento, os seus “pais fundadores” asseguraram-se de que o fluxo de dados que passam pela “tubagem” que forma a teia não sejam bloqueados, nem degradados, nem favorecidos pelos operadores de telecomunicações que os gerem, e isto, para garantir a todos um igual acesso à rede. A Web pode, assim, desenvolver-se livremente e conhecer um crescimento sem precedentes na história industrial da Humanidade.

A questão da “neutralidade da rede” põe-se, de novo, desde há algum tempo, porque algumas aplicações, como os vídeos ‘on demand’, abrandam a passagem da banda (a quantidade de dados a circular). Para fazerem face a este problema, muitos fornecedores de acesso à Internet (provedores de Internet), apoiados pelas indústrias culturais (que fornecem os conteúdos), querem introduzir várias “velocidades” de ligação, cobradas proporcionalmente ao fluxo.

Enquanto algumas limitações à neutralidade absoluta da rede são geralmente aceites – por exemplo, por razões de segurança ou congestão da rede – de maneira temporária, orientada e transparente, os atores da Net estão de acordo ao dizerem que o princípio deve ser mantido. E voltaram a lembrá-lo na altura da consulta feita pela Comissão Europeia e durante a cimeira organizada a 11 de novembro, em Bruxelas. Durante a sua intervenção, a comissária europeia para a Agenda Digital, Neelie Kroes, defendeu, obviamente, um “ambiente de sã concorrência” e transparência, e a continuação de acesso livre à Internet.

Mas mencionou, igualmente, a possibilidade de “permitir aos operadores e provedores de Internet explorarem modelos económicos inovadores, que conduzam a uma utilização mais eficaz da rede”, parecendo, assim, mais preocupada em preservar a concorrência do que a neutralidade da rede. Ora, trata-se, aqui, de um dos princípios que fazem da Internet a mais formidável das ferramentas democráticas alguma vez criadas. E será lamentável se Bruxelas a puser em causa.

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