Estará a missão civil da UE a formar paramilitares?

Publicado em 18 Novembro 2013 às 16:18

Após um fim de semana de violência em Trípoli, o EUobserver divulga “um dossiê interno da UE – um projeto de missão de assistência nas fronteiras intitulado Eubam Líbia” – que apresenta os pormenores de um plano que visa “reforçar o ‘nível operacional’ dos guardas de fronteira e da guarda costeira da Líbia”.

O site de informação explica que a Eubam tenciona retirar do terreno alguns dos nove mil guardas de fronteira e 6500 guardas costeiros que se encontram atualmente sob “o comando direto” do chefe do exército líbio, para formá-los em locais seguros, antes de recuperarem as suas funções.

O EUobserver adianta que a “missão civil” está, de facto, a formar “paramilitares”. No entanto, também cita um porta-voz dos serviços estrangeiros da UE, Michael Mann, que afirma que a UE não está “a fazer nada de extraordinário”:

A missão consiste em apoiar as agências responsáveis pela gestão das fronteiras e em fornecer conselhos sobre questões relacionadas com esta área. Não estamos envolvidos em assuntos militares.

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A Eubam irá participar em programas dirigidos pela UE, os Estados Unidos, a Turquia e os Emirados Árabes Unidos, que têm como objetivo reforçar a estabilidade na Líbia. Para o EUobserver este objetivo louvável não é o único interesse em jogo. O Estado norte-africano produz atualmente “cerca de 700 mil barris [de petróleo] por dia, mas poderia rapidamente voltar aos níveis registados antes da guerra, isto é 1,4 milhões de barris, se tudo correr bem”. Também precisa de “investir imenso dinheiro em material informático” – algo que irá certamente interessar a antiga potência colonial da região, a Itália, que “entregava armas, no valor de 100 milhões de euros por ano, antes da eclosão da guerra”. Depois há a questão do controlo do fluxo de imigração para a UE.

Segundo o documento oficial ao qual o site de notícias teve acesso, a UE precisa de construir uma imagem positiva na Líbia, onde as pessoas estão “muito gratas” pela ajuda europeia em derrubar o regime de Kadhafi, porém apenas 50 por cento da população sabe “o que representa a UE”. Mas a criação de boas relações públicas continua a ser um dos aspetos menos importantes da assistência à Líbia, que se encontra num delicado processo de transição. Tal como explicou um diplomata maltês ao EUobserver:

A UE não pode permitir que a Líbia se torne um Estado fracassado.

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