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Felizmente ninguém espera pela Europa

Afastada da “Primavera Árabe”, a UE não consegue posicionar-se no conflito que opõe novamente Israel ao Hamas na Faixa da Gaza. Como se recusasse desempenhar um papel numa região que, no entanto, fica às suas portas.

Publicado em 21 Novembro 2012 às 16:22
Heiko Sakurai  | Parem! Parem!Parem! Parem ! Parem! Parem! Parem! Parem ! Parem! Parem!

A escalada bélica entre Israel e a Faixa de Gaza comprova a entrada em cena de novos protagonistas para orientar uma mediação que leve ao fim da violência. A iniciativa está nas mãos de um Egito que nada tem a ver com o de Mubarak, de uma Turquia que continua a afirmar-se como potência regional e de um Qatar recém-chegado à cena internacional, mas com suficientes meios e interesses (políticos, estratégicos e religiosos) para reclamar um lugar nas negociações. As mudanças trazidas pela Primavera Árabe estão à vista.

E a Europa? Não está nem se espera que esteja. O seu papel no conflito consistiu em pagar a fatura que os palestinianos não podiam custear e que, em muitos casos, deveriam ter sido os israelitas a pagar. Era um papel perfeitamente assumido e que, no fundo, poupava à UE dores de cabeça. Neste momento, o problema não é Bruxelas estar ou não disposta a pagar. O problema é que nem sequer se chega a acordo para redigir um comunicado.

Na segunda-feira, 19 de novembro, quando os ministros dos Negócios Estrangeiros elaboravam o documento, o Reino Unido e a França defendiam que se pedisse a Israel para não lançar um ataque terrestre, enquanto a chefe da diplomacia europeia, Catherine Ashton, impunha o seu ponto de vista, apoiada pela Alemanha.

Em primeiro lugar, condenava os ataques com rockets contra Israel a partir de Gaza. Em segundo, defendia o direito de Israel de proteger a sua população e, em terceiro, instava Telavive a "agir proporcionalmente e a garantir a proteção dos civis". O facto de Gaza, a zona mais densamente povoada do mundo, sofrer um bloqueio imposto por Israel não merece sequer uma menção.

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A realidade indica que a operação lançada por Israel para, oficialmente, travar o lançamento de rockets por meio de ataques aéreos e bombardeamentos a partir de navios de guerra causou a morte de pelo menos 127 palestinianos, muitos dos quais crianças e mulheres, fez mais de 900 feridos e destruiu diversos edifícios civis. Em comparação com os danos e as vítimas causadas pelos rockets palestinianos (três mortos), não há proporcionalidade, como exigia a Europa.

A Primavera Árabe deixou a UE numa situação delicada. Depois de falar repetidamente da necessidade de democracia na zona, sem deixar de apoiar as autocracias consideradas um mal menor face ao islamismo, não soube o que fazer com aquele movimento. E agora também não sabe. Para além de aprovar declarações que na realidade se encarrega de reduzir a palavras ocas, a UE está a renunciar de facto a ter um papel na solução de um conflito que se desenrola a muito poucos quilómetros das suas fronteiras.

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