Miloš Zeman, Presidente de um país descontente

Publicado em 28 Janeiro 2013 às 14:55

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É “o regresso de Zeman”, anuncia o *Lidové novinyP. Onze anos depois de ter abandonado o cargo de primeiro-ministro, Miloš Zeman é agora o terceiro Presidente checo desde a Revolução de Veludo. Depois de ter vencido Karel Schwarzenberg com 54,8% dos votos, Zeman prestará juramento no próximo dia 8 de março.

Ganhou “o candidato dos descontentes”, considera este diário, que refere a existência de “um clima de depressão e de medo do futuro”. Miloš Zeman tem pela frente uma tarefa difícil, acrescenta o jornal: “Unir a sociedade, dividida por uma campanha plena de emoções exacerbadas.” “O novo Presidente foi eleito contra a vontade de uma grande parte da elite intelectual, política e económica”, salienta o LN, que recorda ainda que Zeman tem de se preparar para “uma coexistência difícil” com o Governo de coligação de centro-direita de Petr Nečas, responsável pela política de austeridade.

“Os checos não ultrapassaram as suas inseguranças e optaram pelo regresso ao passado”, lamenta o Lidové noviny. “Mas, há seis meses, quem teria pensado que, com todos as suas falhas, Karel Schwarzenberg viria a ser um adversário tão forte de Zeman?” O desejo do novo Presidente de convocar “eleições antecipadas poderá dar uma nova oportunidade a Schwarzenberg: vir a ser primeiro-ministro.”

“O regresso de Miloš Zeman é brilhante: diretamente para o Castelo de Praga, com o apoio de 2,7 milhões de eleitores”, escreve por seu turno o Hospodářské noviny. No entanto, “é uma insensatez esperar que Miloš Zeman seja um Presidente não problemático, capaz de unir as pessoas e de melhorar a cultura política, porque ele é um político imprevisível e arrogante. A sua campanha contra Karel Schwarzenberg foi pródiga em mentiras, insultos e práticas desonestas.”

Pior ainda, lamenta este diário económico, “é a lista de conselheiros que Zeman traz consigo: Miroslav Šouf [antigo comunista e lóbista político próximo da empresa petrolífera russa LUKoil] e outras figuras sinistras, que criaram o contexto favorável à corrupção dos anos 1990”.

Para a Europa, “Zeman será um Presidente de reconciliação”, salienta o Lidové noviny. Depois de Václav Klaus, conhecido pelas suas ideias eurocéticas, os políticos europeus podem respirar de alívio, considera este diário, que destaca que Miloš Zeman, tido como favorável ao federalismo europeu, foi felicitado por Martin Schulz, o presidente social-democrata do Parlamento Europeu.

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