Perdido que nem um sueco em Poltava

Em honra da presidência sueca da UE, cafebabel.com faz uma viagem pelas expressões que, nas várias línguas se referem à pátria de Anita Ekberg.

Publicado em 14 de Agosto, 2009

Se, na insensata esperança de rivalizar com Anita Ekberg, actriz de eleição de Federico Fellini, passasse pela cabeça de Zlatan Ibrahimovic a ideia absurda de tomar banho na Fonte de Trevi, em Roma, o ex-ponta-de-lança do Inter de Milão continuaria bem longe de encarnar o protótipo da beleza viquingue… De origem bósnia e croata, o jogador de futebol nasceu no subúrbio de Malmo; pode, quando muito, orgulhar-se de ser compatriota de Ingmar Bergman e de Pippi Calzaslargas.

Do mesmo modo, quando do alto das bancadas os admiradores lhe recomendam, em espanhol, “No hacerte el sueco!” (literalmente, não te faças de sueco), não é a sua nacionalidade que está em causa, mas a sua capacidade de fazer render os 45 milhões de euros desembolsados pelo clube de Barcelona para arrancar esta estrela ascendente dos Balcãs das garras dos lombardos. Na verdade, a palavra “sueco”, em castelhano, designa o habitante do pedaço da Escandinávia que é sobrevoado pelos gansos selvagens de Nils Holgersson; no entanto, é homónima da palavra latina “soccus”, que é a realmente utilizada nesta expressão, designando uma peça de madeira bruta a partir da qual são talhados os tamancos. Em suma, o sueco acaba conotado com “surdo que nem um tamanco”.

Uma prisão chamada jardim sueco

O prestígio da Suécia e dos seus habitantes nunca surge empalidecido. Se assim fosse, os alemães demonstrariam imediatamente o contrário, quando, para exprimirem espanto e admiração perante um fenómeno de respeito, exclamam extasiados: “Alter Schwede! ” (“Grandes suecos!”). A expressão remonta à Guerra dos 30 Anos, no século XVII, período em que o Rei da Prússia, Frederico Guilherme I, recrutava soldados suecos, conhecidos pela sua bravura e ferocidade, para o seu exército em formação. Perante tão temíveis instrutores, os recrutas recalcitrantes tornavam-se bastante cuidadosos sob pena de irem estagiar nas estufas pouco agradáveis do “Schwedische Garten” (“jardim sueco”), ou seja, “na pildra”.

A um polaco preocupado com a possibilidade de uma donzela poder não vir a estar à altura das expectativas, responde-se: “To coź źe ze Szwecji” (“Raio de pergunta para um artigo da Suécia!”) Já o russo, se a boneca não se apresenta a seu gosto, apressa-se a devolvê-la “à procedência”: “Пропал, какшведподПолтвой” (“como os suecos em Poltava”). A expressão, refere-se ao lugar onde os exércitos de Carlos XII sofreram uma derrota esmagadora perante o Czar Pedro o Grande, episódio que marca a entrada em cena da Rússia na história europeia e precipita o declínio da potência nórdica, que até aí transformara o Báltico num “lago sueco”.

Em Portugal, “sueco” designa o padrão da beleza nórdica. Uma loira alta, elegante, de olhos claro, cabelo ao vento e pele de bebé nunca é uma beleza “norueguesa” ou “dinamarquesa”: é sempre uma “estampa sueca”.

Futurando para o espaço global europeu, se Estocolmo obtiver resultados arrebatadores à frente da União Europeia nos próximos meses, nada impede que “Lycka till!” (“Boa sorte!”) se torne um adjectivo europeu de futuro, do tipo: “os produtores de leite europeus esperam deste novo elenco uma intervenção lycka till”…

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