Sinais de um terramoto que se aproxima

Mais de um milhão de pessoas de todas as idades sairam à rua, a 2 de março, para exigir o fim da austeridade, num descontentamento crescente que poderá alterar o sistema político em vigor desde a queda da ditadura.

Publicado em 5 Março 2013 às 16:16

Afinal o 15 de Setembro não foi um episódio. Afinal, não se resumia tudo à Taxa Social Única, a que se seguiu o massacre fiscal. Afinal, uma parte muito expressiva de portugueses não está à espera dos humores do CDS, que o Presidente da República acorde do seu sono profundo ou que a chamada oposição interna do PSD ache que chegou a sua hora. Afinal, as pessoas foram para a rua no meio de uma avaliação da troika mostrar que não são o "povo bom" que um dos seus burocratas acreditava aqui viver.

As manifestações do 2 de março não foram manifestações antipolíticos, apesar da evidente antipatia que toda a classe política parece hoje merecer. Foram manifestações mais tristes e desalentadas do que as de Setembro. Mas não foram, ainda, manifestações desesperadas. Foram manifestações com conteúdo político e, em toda a sua simbologia, enquadradas por sentimentos democráticos. E isso é, tendo em conta a situação social que vivemos e o bloqueio institucional que presenciamos, extraordinário. Talvez apenas explicável pelo facto da nossa democracia ser relativamente jovem.

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Crise da dívida

Portugueses esperam mais cortes

“Os portugueses consideram que o Governo se prepara para fazer mais cortes na Saúde, Educação e Segurança Social” mas, em vez disso, querem cortes nas parcerias público-privadas, nos juros da dívida e na Defesa. Este é o resultado de uma sondagem publicada a 5 de março pelo Diário de Notícias.
O Governo português e a troika (Comissão Europeia, Banco Central Europeu e Fundo Monetário Internacional) – que estará em Lisboa até ao final da semana para a sétima avaliação ao programa de resgate financeiro – estão a preparar novos cortes na despesa pública, num montante que ronda os €4 mil milhões.
Um total de 57 por cento dos inquiridos defende que esses cortes deviam ser feitos nas parcerias público-privadas, enquanto 36 por cento quer que a redução seja feita nos juros da dívida e 33 por cento quer uma diminuição das despesas com a Defesa nacional.

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