
Porque o presidente do Conselho italiano tem agora duas opções, explica o editorialista: “Regozijar-se com o sucesso, desembaraçar-se dos adversários e continuar até ao fim do mandato. Uma margem de três votos não o protege contra os obstáculos que se adivinham, mas poderá sempre culpar a oposição e vestir a pele do líder traído. Neste caso, o país ficará novamente condenado ao espetáculo indecente que já testemunhámos nos últimos meses: polémicas, querelas e nenhuma atenção prestada às dificuldades económicas e financeiras que atravessamos. A outra possibilidade é refazer uma maioria sobre novas bases”, a começar por uma nova lei eleitoral.
Um país sem sonhos nem direção
No Repubblica, Barbara Spinelli escreve que “a vitória do Cavaliere, em larga medida, é apenas aparente. Para além de dispor de uma maioria frágil tem, agora, de enfrentar dois partidos de oposição à direita (os centristas da UCD e o FLI, o partido do seu ex-aliado Gianfranco Fini).” “O último tiro falhou, mas a crise continua de forma subterrânea”, diz a jornalista. Porque “para lá das aparências está a difícil mas inevitável queda do Berlusconismo, empurrado pelas mesmas pessoas que o levaram ao poder. É como Termidor”.
Mas Barbara Spinelli adverte contra “o perigoso pensamento positivo de Berlusconi” e a sua incrível aptidão “para nadar no mar das campanhas eleitorais”, que lhe poderão permitir contrariar a queda e fazê-lo ganhar a cadeira de Presidente da República, o seu objetivo pessoal último.

“Estas imagens de Roma são assustadoras e demonstram a distância que existe entre um mundo político cristalizado e um país que desliza e se torna perverso, sem sonhos nem direção”, lamenta Mario Calabresi. “O mundo político devia olhar para além dos incêndios e ver uma maioria cansada e já incapaz de ter ilusões. Em vez disso, fecha-se em si mesmo e deixa de fora não só os desordeiros mas também todo o povo italiano.”
Um declínio generalizado da democracia
“Mais do que acusar e criticar o homem e os seus milhões, não deveríamos antes perguntar-nos se Berlusconi não é, afinal, a metáfora de 
Para El País, “o espetáculo [no Parlamento] vai aumentar o descrédito internacional da política italiana, e vai agitar a crescente corrente de anti-política que corrói os fundamentos desta antiga democracia parlamentar que se tornou o berço do totalitarismo patronal”. Neste contexto, os atos de violência “são execráveis, mas revelam um clima social de grave implosão”, escreve o diário madrileno.
