Alemanha-França

O par Merkel-Hollande procura um nome

Publicado em 8 Maio 2012 às 14:06

Que aspeto irá ter o dueto franco-alemão, com a presença de François Hollande a substituir Nicolas Sarkozy ao lado de Angela Merkel? Embora ponha em causa as políticas de austeridade, o novo Presidente francês não deve tardar a integrar as fileiras do poder, é a aposta de Le Figaro e do Tageszeitung.

Em Paris, o diário Le Figaro recorda as circunstâncias do inevitável braço de ferro que irá travar-se entre Angela Merkel e o novo Presidente francês:

Berlim não esconde a sua irritação perante a intenção reiterada pela equipa de François Hollande de renegociar o pacto fiscal, para lhe acrescentar uma possibilidade de crescimento. Na tentativa de acalmar o círculo da chanceler alemã em relação a este ponto, os conselheiros do candidato socialista deram a entender que se trataria de um “objetivo de campanha”.

A chanceler sabe que a situação de François Hollande não lhe dá grande margem de manobra para negociar e que o novo Presidente “vai tentar impor-se a todo o custo para marcar pontos”, escreve o diário conservador. No entanto, a chanceler talvez não aceite a obrigação de assinar o tratado, tal qual existe, com o intuito de o voltar a por em cima da mesa, mais tarde. Será então o novo Presidente francês a ter de dar o primeiro passo na assinatura do pacto orçamental. Uma atitude contrária à campanha realizada contra a austeridade na Europa.

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Apesar de tudo, nota Le Figaro, os dois líderes têm pontos em comum: “A única boa surpresa, quando a chanceler alemã receber o novo Presidente francês em Berlim, poderá ser a de um reencontro” entre dois dirigentes que cultivam um caráter de “normalidade e simplicidade”…

Longe de ser caricato, este elo pessoal será a base de confiança a partir da qual poderão ultrapassar-se as divergências entre Paris e Berlim. E encontrar-se um consenso que leve a Europa a ser puxada pela dupla franco-alemã. Se Hollande e Merkel arrancarem com o pé direito, tudo será possível.

Em Berlim, o Tageszeitung duvida muito que François Hollande leve muito longe a promoção da sua agenda para o crescimento. Obviamente, nota o diário de esquerda, que os protagonistas de Bruxelas que deitam o olho ao posto de Durão Barroso, como é o caso de Martin Schulz, presidente do Parlamento Europeu, ou Viviane Reding, vice-presidente da Comissão Europeia, mostraram-se desejosos de “receber o novo homem forte de Paris com todas as amabilidades”, defendendo a causa de um pacto de crescimento. Mas,

no fundo, trata-se de um compromisso típico de Bruxelas: estende-se a mão ao que é novo entre os 27 para, a seguir, o atacar. Para Bruxelas, um pacto de crescimento totalmente enfraquecido é uma tentação, visto que deixaria inalterado o pacto orçamental da chanceler Angela Merkel. Provavelmente, nem sequer assustaria os mercados. E toda a gente ficaria satisfeita: Merkel e Hollande, os cidadãos e os mercados. O deputado europeu Elmar Brok (CDU) resume a opinião de inúmeros políticos europeus: ‘Em junho, no máximo, Hollande terá integrado as fileiras do poder’.

A liderança alemã não está pois prestes a desaparecer e, ciente do apoio dos mercados, o discurso neoliberal em Bruxelas e Berlim resiste, afirma o TAZ. Se lhe acrescentarmos a crise grega,

a cimeira da UE em junho poderá, de facto, vir a ser mais uma cimeira grega e cimentar a parceira Merkel – Hollande. Quanto à questão de saber o que irá restar da agenda socialista, só Deus sabe.

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