O que correu mal na Dinamarca?

O Parlamento dinamarquês acaba de endurecer as leis de reagrupamento familiar. O Frankfurter Rundschau vê nisso um passo para uma política abertamente agressiva contra os estrangeiros, que poderá alastrar-se a todo o continente.

Publicado em 11 Novembro 2010 às 16:14

Era uma vez um orgulhoso pequeno país do norte da Europa, conhecido e amado pela sua generosidade e pelo seu apego aos valores liberais. Era um exemplo para todos. Tratava-se da Dinamarca. Atualmente, os dinamarqueses são notícia nos jornais por causa das suas posições xenófobas e dotaram-se das leis de imigração mais restritivas da Europa, um verdadeiro insulto ao pensamento liberal. Continuam, no entanto, a ser um modelo, apesar de os seus admiradores já não serem os mesmos. “O que decidimos será, dentro em breve, uma referência para os outros países”, congratula-se a direita dinamarquesa. A experiência mostra que pode muito bem ter razão.

[…] **Este artigo foi retirado a pedido do proprietário dos direitos de autor.**

Visto da Dinamarca

Um mau conto de fadas

Um dia depois do endurecimento das regras para a reunião de famílias na Dinamarca, o [Jyllands-Posten](http://jp.dk) faz apelo a um conto de Andersen que tem por herói um rapaz que todos consideram desajeitado: “Quem iria a princesa escolher para marido? Um dos dois irmãos muito instruídos? O primeiro tinha estudos e conhecia de cor todo o léxico latino e até três anos do jornal da cidade; o segundo tinha excelentes qualificações profissionais: sabia bordar arreios, mas também discutir assuntos de Estado. Hans, o desajeitado [Klods-Hans é o título original do conto de Andersen], o terceiro irmão, por seu lado, não tinha nem diploma nem recomendações; e, no entanto, foi ele que conquistou o coração da princesa e ficou com metade do Reino. Moral da história: o ser humano sobressai e o amor está-se nas tintas para os conhecimentos factuais. É a vingança do povo contra a elite”. Mas, “como faria a princesa hoje, se tivesse de mandar vir Hans, o desajeitado, para a Europa”?

A diretiva europeia sobre o direito de permanência, recorda o diário, “proíbe qualquer discriminação fundada em ‘sexo, raça, cor, origens étnicas ou sociais, características genéticas, língua, religião ou convicções, opiniões políticas ou outras, pertença a uma minoria étnica, fortuna, nascimento, deficiência, idade ou orientação sexual’”. O Jyllands-Posten salienta que “vários acórdãos do Tribunal Europeu de Justiça interpretaram estas regras num sentido muito lato” e que “a UE tentou recentemente dar mais peso ao princípio da unidade familiar na instrução dos pedidos de asilo”.

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