Os eleitores viram costas a Tadić

Para surpresa geral, o nacionalista Tomislav Nikolić ganhou as eleições presidenciais na segunda volta contra o chefe de Estado cessante, o pró-europeu Boris Tadić. Numa altura em que a Sérvia é candidata à adesão da UE, a sua eleição deverá alterar a atitude de Belgrado face a Bruxelas.

Publicado em 21 Maio 2012 às 16:22

Eleito com 49,5% dos votos, Nikolić põe fim a dez anos de poder dos reformadores. Este antigo colaborador do ultranacionalista Vojislav Seselj, que está atualmente a ser julgado pelo Tribunal Penal Internacional para a ex-Jugoslávia, tem, no entanto, dado garantias de compromisso pró-europeu.

“Nikolić ganhou”, titula sobriamente o Danas, no dia seguinte à votação. Ainda sob o efeito da surpresa, o diário de Belgrado põe o acento na primeira declaração de Nikolić:

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A minha eleição é a prova da justiça divina.

O Politika titula, com igual sobriedade, “Tomislav Nikolić presidente”, sublinhando a grande abstenção (cerca de 50% dos eleitores não votaram) bem como o elevado número de votos nulos (3%). O jornal de Belgrado considera que

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os resultados das eleições demonstram que os sérvios votaram mais contra Tadić do que em Nikolić, sublinhando que o novo poder deverá, muito provavelmente, ter de enfrentar a coabitação [com uma maioria parlamentar oposta] o que vai complicar a formação de um novo governo.

O Blić, faz um título irónico com o “Presidente diplomado”, por causa da licenciatura em Economia que o novo Presidente fez numa universidade privada em condições duvidosas, retoma a análise feita por Ivica Dacić, líder do Partido Socialista Sérvio, tido como futuro primeiro-ministro, após as eleições legislativas de 6 de maio, que anunciou que

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a eleição de Nikolić criou um novo cenário na paisagem política sérvia.

O portal e-Novine, por seu lado, entende que a vitória de Nikolić represente uma sã bofetada na cara da sociedade sérvia e que é preciso procurar as razões da derrota de Tadić na ausência de resultados concretos de quatro anos do seu governo:

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A arrogância de Tadić, a concentração de poderes, os media subservientes (Blic, Kurir, B92), bem como a tentativa de agarrar, pela terceira vez, o mandato presidencial, contrariando as regras democráticas e a Constituição, produziram um efeito contrário.

Os vizinhos croatas falam destas eleições num tom muito diferente. O Jutarnji list titula um “terremoto político na Sérvia, antigo radical eleito Presidente”. O diário de Zagreb sublinha:

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Os sérvios optaram pela mudança que, a acreditar nas primeiras declarações de Nikolić, não põem em causa a via pró-europeia. No entanto, as suas declarações contraditórias e a volatilidade das suas convicções políticas deixam algumas dúvidas.

A acreditar na mensagem de felicitações de Bruxelas, enviada ao novo Presidente sérvio… três horas antes do fecho das urnas, aparentemente, a UE também não tem medo de Nikolić, ironiza o diário croata. Quanto à política para a região, o Jutarnji list escreve que a chegada de Nikolić ao poder não tem, forçosamente, de resultar numa deterioração das relações com a Croácia, porque

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ele renunciou à ideia da Grande Sérvia, de que era adepto na época em que era próximo de Seselj.

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