Suécia esquece cultura

Publicado em 10 Julho 2009

"A Europa não se fará de um golpe, nem numa construção de conjunto : far-se-á por meio de realizações concretas que criem em primeiro lugar uma solidariedade de facto." Este excerto da Declaração Schuman, de 9 de Maio de 1950, considerada o documento fundador da Europa, esteve sempre no âmago da construção europeia. As "realizações concretas" foram em primeiro lugar económicas: o mercado único, a política agrícola comum. Seguiu-se a época da "solidariedade de facto" entre os cidadãos: o programa Erasmus, a livre circulação no espaço Schengen.

Falta o elo essencial para estabelecer uma identidade partilhada: a cultura. Iniciativas como, por exemplo a Capital Europeia da Cultura ou a conferência "Promover uma Geração Criativa", que terá lugar no final de Julho, em Gotemburgo, vão entretecendo aos poucos os povos da União Europeia. À semelhança do que acontece com a rede do Goethe-Institut, por exemplo, ou do Instituto Cervantes, muitos países já compreenderam que a sua projecção cultural também pode contribui para este desígnio.

E por isso é triste saber que a Suécia, neste momento à frente da presidência da UE, com o desejo de fazer crescer a sua influência, tenciona encerrar o seu único centro cultural no estrangeiro. O Ministério dos Negócios Estrangeiros incluiu o encerramento do Instituto Sueco, em Paris, no plano económico que apresentou no início do Verão. A equipa do Instituto acabou de lançar uma petição pública contra o seu encerramento. Resta-nos lamentar o desaparecimento deste local de intercâmbio e descoberta entre a Suécia e os europeus dos quatro cantos da Europa.

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