
Os relatórios dos serviços secretos que originaram estes alertas devem ser levados a sério. É claro que as cidades europeias são potencialmente vulneráveis ao tipo de ataques por comandos suicidas como os cometidos há dois anos no centro da atividade comercial da Índia. O número de vítimas dos ataques de Bombaim (que mataram 173 pessoas) foi assustador, em especial se se tiver em conta o pequeno número de terroristas envolvidos.

No entanto, este tipo de alertas dão a impressão prejudicial de que a Europa é, de um modo geral, um local pouco seguro. A sugestão indireta é que o continente é composto por Estados fracos, como o Paquistão ou o Iémen, que não têm capacidade para impedir esses ataques e proteger as respetivas populações. O conselho posterior do Foreign Office é ainda mais equívoco, uma vez que o Reino Unido é indiscutivelmente tanto um alvo como a França ou a Alemanha.

Infelizmente, as ameaças terroristas são hoje um facto da vida no mundo ocidental. Os governos devem, evidentemente, agir com base em informação específica e avisar os seus cidadãos de acordo com ela. Mas a emissão de alertas sobre viagens vagos e ligeiramente imbuídos de pânico apenas exacerba o clima de medo e ajuda os terroristas.
Visto da Áustria
Vulnerabilidade dos cidadãos
Os alertas terroristas lançados pelos governos revelam sobretudo "a nossa dupla vulnerabilidade", segundo Die Presse: a vulnerabilidade dos cidadãos sujeitos a ameaça terrorista e a ameaça de ver minar a proteção das liberdades civis. "Continuamos sem perceber claramente se o céu está realmente a arder por cima das nossas cabeças ou se tudo não passa de uma projeção de lutas de poder longínquas, no Afeganistão ou no Paquistão", observa o diário vienense. Para todos os efeitos, as advertências são oportunas para os órgãos de segurança norte-americanos, que exigem, com cada vez mais vigor, acesso aos dados pessoais de cidadãos europeus. "Evocando a experiência da insegurança, as pessoas abrem-se mais facilmente. […] Despimo-nos. E completamente nus, somos ainda mais vulneráveis. Não somente às ações terroristas, mas também aos abusos do Estado."